Cyber-Bullying - A Outra Face da Internet
Não podemos deixar de lembrar todos os benefícios vindos da internet, a facilidade na comunicação, na resolução de problemas, realização de pesquisas e até o favorecimento de relacionamentos sólidos.
Por outro lado, o surgimento desta forma de comunicação, tornou-se um grande aliado da violência psicológica.
Nos dias de hoje é comum crianças e adolescentes ficarem sozinhos, grande parte do dia, devido à ausência dos pais que necessitam sair para o trabalho em busca de melhores condições de vida e até sobrevivência.
Essa situação dos tempos modernos tirou as crianças das ruas, igrejas, praças, clubes e de espaços que favoreciam a socialização e todos os valores morais e éticos ligados a uma boa convivência.
Com isso, castrou-lhes a possibilidade de se tornarem cidadãos de comunidades, que aprendem prazerosamente, socializam-se, relacionam-se e brincam; ou seja, furtam-lhes a possibilidade de discernir entre o certo e o errado, direitos e deveres, seu limite e do outro e a troca de experiências que favorece o aprendizado do respeito, valores morais e éticos.
A internet aparece aí como a grande vilã, válvula de escape para a solução de conflitos e um acolhedor e prazeroso ombro amigo para espantar a solidão.
É através dela que o indivíduo pode se expressar sem se identificar, camuflando uma personalidade muitas vezes imbuída na revolta da solidão, sem correr o risco de retaliações ou ter que responder por isso ou por aquilo; isso é preocupante na formação do caráter desse indivíduo que cresce num mundo de fantasias, sem amadurecer, desenvolvendo comportamentos inadequados na convivência com os outros, sem espírito crítico para desenvolver cidadania e com uma estrutura emocional fragilizada, não sabendo lidar com os fracassos e frustrações naturais.
Na relação com os outros se torna dissimulado, sem temor e muitas vezes assumindo características de uma personalidade camuflada via internet, sentindo-se dono da razão e cheio de poder. Envolto dessa sensação de "poder' o que lhe causa prazer, chega à escola aliando-se a outros com os mesmos pensamentos que acabam formando pequenos grupos, sentindo-se no direito de julgar a todos que lhes rodeiam e lhes incomodam de alguma forma. Essa prática tem se tornado cada dia mais comum, principalmente nas escolas, transformando nossos adolescentes em pessoas insensíveis e sem noção de respeito com o outro.
Através das ferramentas disponíveis na internet, há maior facilidade para tais práticas fortalecendo essa sensação doentia dos adolescentes de "poder". Muitas das humilhações vêm pela internet, chegando ao absurdo de criarem fóruns somente para falar de um colega e o pior com exposições de fotografias da pessoa que está sendo humilhada, expondo além do indivíduo, toda a sua família.
Isso é muito sério e é conhecido também como Bullying ou Cyber-bullying.
Admite-se que os que praticam o BULLYING têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delinqüentes ou criminosas.
Segundo a pesquisadora Cléo Fante ao "Folhateen", de 20/06/2005, está se tornando comum, vítimas de bullying se depararem com fotografias, gozações e ameaças pela rede.
O que me preocupa como Psicóloga Clinica e Escolar, é que em minha prática na orientação a adolescentes, percebo que os mesmos não dão conta da gravidade de suas atitudes.
Como educadores temos que desenvolver um trabalho mais efetivo junto aos pais, desde a pré-escola, no que diz respeito à cidadania, moral, ética e introduzir conceitos religiosos para nossas crianças, que quando jovens nada temem, a não ser a castração de coisas que lhe dêem prazer.
Religião não no sentido de obrigá-lo a seguir essa ou aquela, mas na compreensão mais ampla da vida, incluindo o espiritual.
Devemos também como educadores e pais, aproveitar a internet e propagar através dela mensagens de paz aos nossos jovens, cada vez que se deparar com um desses fóruns ou comunidades. Deixe sua mensagem: o objetivo é iniciar um trabalho de formiguinha, mas um trabalho efetivo, pois se eles se fortalecem e seus grupos crescem, nós podemos fazer o mesmo e reverter essa história antes de sermos engolidos por ela.
Autora: Elaine Cristini Pinheiro Marini (Psicóloga da Unidade Vila Talarico) |